Dicas para uma carreira de sucesso

A importância da Gestão em Oftalmologia!
 

Na coluna “5 dicas” de hoje iremos contextualizar com as colegas um pouco do cenário da administração e gestão de consultórios. Para discutir os aspectos deste assunto fundamental para a sobrevivência e crescimento de todos os consultórios, entrevistamos Márcia R. F. Campiolo, psicóloga com especialização em administração de recursos humanos.

Márcia Campiolo atua na área de gestão há quase três décadas, sendo os últimos 18 anos diretamente em projetos relacionados à área médica. É gestora de uma clínica médica e rotineiramente ministra palestras e cursos nos maiores congressos médicos realizados no País. Têm três livros, diversos artigos publicados e atualmente exerce a função de Diretora Executiva da Sociedade Brasileira de Administração em Oftalmologia (SBAO).

Ter o seu próprio consultório e liderar o seu negócio é sonho de grande parte dos oftalmologistas no Brasil. O que ele precisa ter em mente é que além do investimento financeiro para a montagem do consultório, é necessário saber que a gestão administrativa é fundamental para o sucesso de qualquer empreitada profissional e deve ser pensada cuidadosamente.

“Indiscutivelmente as vantagens são inúmeras, e elas levam o médico e ter maior chance de sucesso profissional. Hoje não é mais possível para este profissional pensar em ter um serviço médico e exercer exclusivamente medicina, sem se preocupar com o gerenciamento deste serviço. Mesmo que ele contrate gestores, o que é recomendável, como dono, ele ainda continuará a ser o líder maior deste serviço”, afirma Márcia Campiolo.

O mercado de trabalho para os oftalmologistas, principalmente nas grandes capitais, está cada vez mais competitivo. Por outro lado, a ciência na Especialidade conquista grandes avanços em curto espaço de tempo, o que torna crucial a participação dos médicos em simpósios e congressos. Fica complicado encontrar tempo para atualizar os conhecimentos em administração de consultórios, o que na visão da especialista em gestão é prejudicial.

“Não é uma tarefa fácil. A multiplicidade de variáveis atuando sobre o médico é algo extremamente complexo e pesado. Ele precisa pensar sempre no gerenciamento estratégico de seu tempo como uma necessidade para que ele possa se manter atualizado, ter excelente desempenho profissional, ter tempo para a família, amigos e para si mesmo. Aliado a tudo isto ele ainda precisa procurar conhecer, pelo menos, as bases da gestão para que possa conduzir o seu serviço. Alcançar e manter o equilíbrio entre estas diversas faces de sua vida é uma grande e necessária missão”, complementa.

A educação médica continuada pode, de certa forma, preencher esta lacuna de atualização. Neste contexto, o CBO irá desenvolver um curso completo em Administração de Consultórios, junto à SBAO, e disponibilizar na sua página de e-learning nas próximas semanas para o seu associado.

“Estas atividades, com certeza, podem ser um dos canais importantes a ser utilizado pelos médicos em busca de conhecimentos gerenciais. No entanto, é preciso ressaltar que não deve ser a único, uma vez que o conhecimento nesta área precisará ser alcançado através de diversas ferramentas. O EAD poderá ser uma delas”, afirma.

Outra vertente destacada pela especialista é na hora da escolha do staff. A seleção dos colaboradores deve observar alguns critérios na hora do processo seletivo.

“A seleção de um novo colaborador é o início, a porta de entrada. Se você não fizer uma escolha adequada para o seu staff, isto comprometerá a qualidade do serviço. Se entendermos o trabalho realizado pela equipe de um serviço médico como uma corrente que precisa ter elos fortes, interligados, integrados, um colaborador contratado de forma equivocada, acabará se tornando um elo frágil que pode romper a corrente, comprometendo o restante da equipe”, reforça Márcia Campiolo.

A contratação de uma área própria de RH para a clínica só é aconselhada aos grandes serviços. O médico pode ser o responsável pela busca e seleção dos profissionais de sua clínica, caso se sinta preparado, ou então terceirizar este serviço.

“Muitas vezes, o médico pode sim fazer a seleção de seu novo colaborador, utilizando principalmente a entrevista, mas é preciso lembrar que atualmente os candidatos estão melhores preparados para o que dizer e como se comportar durante este processo.. Assim o entrevistador deverá estar preparado para este perfil de candidato, para que não cometa erros na contratação. Uma saída seria contratar empresas terceirizadas especializadas para fazer este trabalho, pelo menos em sua fase inicial”.

Além de contratar com eficiência um novo colaborador e montar o seu staff, os médicos devem se atentar que a atualização profissional de sua equipe é muito importante e o investimento em desempenho é fundamental.

“A equipe precisa estar em permanente processo de educação continuada. Proporcionar a oportunidade de desenvolvimento profissional dos colaboradores deve ser uma das grandes prioridades do gestor. A periodicidade deve ser determinada de acordo com as características do serviço de saúde, do tamanho da equipe além de outros pontos. É importante que haja investimento constante nesta área para que se possam desenvolver competências primordiais a um serviço com alto desempenho”, diz.

Recentemente o CBO criou a Comissão CBO-Mulheres e organizou um Simpósio realizado durante o XXI Congresso Brasileiro de Prevenção da Cegueira e Reabilitação Visual, em Pernambuco, que teve grande participação feminina. Para Márcia Campiolo, esta iniciativa é vista com bons olhos e que os assuntos relacionados à gestão devem ser sempre pauta das reuniões deste seleto grupo.

“Os assuntos ligados à gestão e a liderança, devem ser oferecido às mulheres, assim como são oferecidos a qualquer outro profissional do Mercado, independentemente do sexo. A diferença está no fato de que nós, mulheres, temos muito em comum em relação aos desafios dos papéis a serem desempenhados e enfrentados em nossas vidas e o fato de estarmos juntas em busca de conhecimento e preparo é realmente uma experiência muito enriquecedora e fortalecedora. O CBO mulher é uma prova disto. Uma iniciativa de grande valor que com certeza será um dos grandes alicerces da Oftalmologia brasileira”. 

 

1.     Gerencie seu tempo de forma estratégica e organizada.

2.     Nunca se esqueça de que além de cuidar e estar ao lado dos que te rodeiam, você precisa ter também tempo para você mesma.

3.     Busque constantemente estar em equilíbrio principalmente entre o trabalho e a família.

4.     Jamais perca o bom humor e a alegria de viver. Nenhum sucesso profissional compensa a perda da felicidade.

5.     Acima de tudo, tenha ao seu lado pessoas que realmente tornam a sua vida melhor a cada dia. 

 

 

Determinação e planejamento, sem esquecer a gentileza e a gratidão

 
O quadro “5 dicas” inaugura seu espaço com a história de Amália Sina, mãe do Lucas e empresária de sucesso.

“Nunca percebi diferença entre homens e mulheres no mundo dos negócios. Percebi que o mercado não era machista, mas masculino, já que os homens chegaram primeiro e puderam implantar seus códigos e seus ritmos. Por isto, para as mulheres, ficou a tarefa de decifrar esses códigos, adaptar-se aos ritmos e imprimir sua marca, mostrando que veio para agregar e enriquecer a convivência no competitivo ambiente de trabalho, possibilitando a existência de novos códigos e ritmos diferentes”.

A constatação é da empresária Amália Sina, que por qualquer definição ou padrão que se siga só pode ser descrita com as palavras mulher vitoriosa, mulher de sucesso e mulher decidida.

Seu currículo é respeitável e impressionante. Órfã ainda na infância, assumiu o rumo de sua vida com responsabilidade e planejamento e focou sua atuação no mundo dos negócios, alcançando os mais elevados postos da alta administração de empresas como Philip Morris e Walita Philips. Faz parte da Academia Brasileira de Administração e do Conselho de Economia Superior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), é professora da Fundação Getúlio Vargas(FGV) e autora de oito livros. Abandonou a vida de executiva e atualmente é empresária, proprietária da empresa de cosméticos Sina e de outros dois negócios, um deles ligado a coaching para micro e pequenos empresários e o outro um estúdio de fotografia.

Fugindo ao estereótipo de vítima do machismo, Amália conta que as dificuldades que encontrou foram enfrentadas e superadas com muita determinação e planejamento. Por vezes se sentia mais cobrada do que seus colegas masculinos, mas como ela própria, seja na vida acadêmica seja na vida profissional, sempre estabeleceu metas precisas e ambiciosas para si mesma e com isso as eventuais cobranças externas foram encaradas com naturalidade.

“De uma forma geral, a mulher tem um pouco mais de diplomacia e sua liderança é baseada mais na inspiração. Desta forma, a mulher tende a conciliar equipes, a tornar os grupos que coordena mais coesos. Fazemos isso desde sempre em casa e quando a mulher leva este jeito de agir e pensar à vida empresarial, torna-se, a princípio, algo marcante mas com determinação essa barreira é quebrada e aceita”, afirma Amália.

Dificuldades em harmonizar a vida profissional com a vida familiar? Também nesse aspecto ela rejeita qualquer coisa que lembre vitimização. Afirma que sua vida sempre foi baseada em não querer ser perfeita e em não ter como objetivo agradar a todos.

“Sempre fui focada em fazer aquilo que considerava justo e sempre tive como meta a ideia de que se não posso ser perfeita, devo tentar ser justa. Outra coisa que sempre me impus foi a dedicação integralmente, de corpo e alma ao que estava fazendo no momento. Certa vez assisti a um filme interessantíssimo, onde o personagem, o Barão de Munchausen, constantemente pedia a Deus para que sua cabeça estivesse onde seu corpo estava. Lógico que no filme isto gerava situações engraçadas, mas a prece do personagem fez sentido para mim e sempre tentei fazer com que a minha cabeça estivesse onde meu corpo estivesse. Isto faz muito sentido porque se estivesse com meu filho Lucas, mantinha a cabeça lá, da mesma forma que quando estivesse trabalhando, minha cabeça estava lá”, complementa. 

Depois de 30 anos como alta executiva, Amália Sina deu a guinada atual de sua vida profissional, e após muito planejamento criou sua empresa de cosméticos na Itália. 

“Aos 23 anos tracei um plano: Seria gerente antes dos 30, diretora antes dos 40 e presidente antes dos 50. Tudo foi mais rápido do que eu pensava, mas sempre me dediquei muito. De certa forma, vinha repetindo minhas posições e pensei: se faço coisas positivas pelas empresas dos outros, por que eu não posso ter uma para mim? Pesquisei e constatei que o mercado de cosméticos se destaca de todos os outros pelo crescimento alto e constante. Lancei a empresa na Itália, por que para mim era mais fácil e mais importante naquele momento, já que queria casar na igreja e meu marido é italiano.

 Comecei com 15 itens e hoje a empresa trabalha com mais de cem itens. Hoje o foco da empresa é internacional. Ao mesmo tempo tenho um cine estúdio e uma produtora focada na elaboração de vídeos de marketing para pequenas e médias empresas. Também trabalho no redirecionamento de carreiras de executivos ou de pessoas que queiram atuar em segmentos diferentes, um coaching específico”. 

Diante de toda essa história, não espanta que dezenas de pessoas lhe perguntem constantemente qual o caminho para o sucesso, mas também nessa resposta Amália surpreende, dizendo claramente que se a pessoa está procurando por um atalho, ele não existe.

“Quando alguém me pergunta o caminho, respondo em seguida: está disposto a pagar o preço? Está disposto a fazer “zag” quando todos falam para fazer “zig”? Está preparado para lamber suas feridas num cantinho sozinho e depois voltar como se nada tivesse acontecido? As pessoas estão muito preocupadas em conseguir de maneira rápida, de conseguir atalhos. A dica é, preste atenção, não tem atalho! Você tem que ir para frente e para o alto e estar disposto a pagar o preço por isto”, ensina a empresária. 

Mesmo assim, Amália enumera cinco “dicas” que a experiência lhe ensinou e que podem ser úteis para que outras pessoas reflitam e encontrem seus próprios caminhos e suas próprias definições de sucesso.


1 - Aproveite seus pontos fortes. Esqueça o que não sabe fazer direito ou o que sofre para fazer;

2 - Mire alto porque, no mínimo, vai acertar no meio. Se fizer a mira muito no meio, as chances de reduzir seu objetivo são muito grandes;

3 - Mantenha o foco no seu objetivo. Não se pode viver sem ter um foco. Defina o que quer de forma clara;

4 - Faça o planejamento estratégico de sua história, de sua carreira, de sua vida.

5 - Aja com gentileza e seja grato. Parece um pouco filosófico e contraditório com as outras dicas, mas agir com gentileza sempre gera a oportunidade de fazer com que as pessoas também tenham interesse e iniciativa em colaborar na realização de seu projeto. Não se chega a lugar nenhum sem ajuda. Neste sentido, temos que aprender a ver o mundo sob a perspectiva do outro.