O Conselho Brasileiro de Oftalmologia, maior entidade representativa da especialidade no país, divulgou uma nota à população sobre o uso das chamadas canetas emagrecedoras e sua repercussão na saúde ocular. O posicionamento ocorre após relato da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) em pacientes que utilizavam esses medicamentos para controle do diabetes e perda de peso.
A entidade esclarece que a associação entre as substâncias e a saúde dos olhos carece de estudos e evidências conclusivas, mas recomenda, como forma de prevenir eventuais riscos, que quem faz uso dos medicamentos mantenha acompanhamento oftalmológico, com consultas e exames regulares. O objetivo é detectar precocemente qualquer alteração na visão.
Até o momento, estudos apresentam resultados contraditórios. "Não se conhece o mecanismo por trás dessa possível associação. Há estudos indicando a associação e estudos que não mostram esses resultados. Mesmo se essa associação seja comprovada, os estudos sugerem que o risco continua sendo muito baixo", diz Mauro Goldbaum, secretário geral do CBO.
Segundo o CBO, as canetas, que pertencem à classe dos agonistas do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, devem ser usadas apenas com indicação médica, com retenção de receita. A entidade ressalta que a prescrição precisa se basear em benefícios potenciais importantes, como o maior controle dessas condições, o que reduz o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e derrame cerebral.
O CBO recomenda aos pacientes utilizar as canetas com aprovação e registro na Anvisa e evitar utilizar canetas importadas ou de origem duvidosa.
NOIA-NA - A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) é uma doença rara, que causa perda visual aguda com defeito de campo visual. Segundo Goldbaum, "o quadro é semelhante a um infarto, mas afeta apenas o nervo óptico, responsável por levar ao cérebro a informação captada pelo olho, onde ela será interpretada", explica.
Segundo o CBO, em nota, trata-se de uma condição grave, que muitas vezes pode levar à perda visual irreversível. A doença ocorre quando falta circulação de sangue no disco óptico, região onde o nervo deixa o olho. Sem oxigênio suficiente, as fibras nervosas sofrem lesão, e a visão é afetada. Os principais fatores de risco para a NOIA-NA são hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2, tabagismo, hiperlipidemia, obesidade, escavação pequena do disco óptico, drusa de papila e uso de medicamentos.
Normalmente, um paciente que desenvolva NOIA-NA apresenta uma redução moderada a grave; ou seja, são sintomas que não passam despercebidos e, na grande maioria dos casos, não são leves.
A partir disso, uma orientação prática para testar a visão é sentar em local bem iluminado e testar a visão de cada olho de maneira separada: tapar o olho direito e testar a visão do olho esquerdo; e depois, tapar o olho esquerdo e testar a visão do olho direito. Sempre com o uso de óculos, se usar.
O CBO conclui sua manifestação lembrando que essa situação reforça a necessidade de avaliação contínua das evidências científicas. "A entidade permanece atenta ao tema e disponível para contribuir com ações individuais ou coletivas que tragam maior segurança à população", encerra o Conselho, no documento.
CONFIRA, A SEGUIR, A NOTA NA ÍNTEGRA:
SEGURANÇA DO PACIENTE
Uso de medicamentos como semaglutida ou tirzepatida exige acompanhamento oftalmológico
Diante do relato da Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) de 13 notificações de suspeita de casos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) em pacientes que usavam canetas da classe dos agonistas do GLP-1, indicadas para diabetes e obesidade, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), maior entidade representativa da especialidade no país, esclarece os seguintes pontos:
Comprometido com a proteção da saúde ocular dos brasileiros, o CBO permanece atento ao tema e disponível para contribuir com ações individuais ou coletivas que tragam maior segurança à população.
São Paulo, 29 de setembro de 2026.
CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA
Conselho Brasileiro de Oftalmologia esclarece que não há recomendação de suspender os medicamentos, após suspeitas de NOIA-NA em pacientes que os usam, mas considera importante manter consultas e exames regulares
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