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Nova presidente do CBO destaca desafios e caminhos para fortalecer a oftalmologia brasileira

Nova presidente do CBO destaca desafios e caminhos para fortalecer a oftalmologia brasileira

O início da gestão de Maria Auxiliadora Monteiro Frazão na Presidência do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), em janeiro, inaugura um novo biênio com desafios claros: defesa profissional, valorização do ato médico, ensino de qualidade e aproximação com os oftalmologistas que atuam em diferentes realidades do país. Numa entrevista que mais lembra uma conversa, ela destaca o papel estratégico do CBO na saúde pública e na saúde suplementar e defende uma atuação orientada por dados, escuta ativa e participação coletiva.

Com tranquilidade e disposição para o diálogo, Auxiliadora fez uma pausa no recesso de fim de ano para conversar sobre o início de sua gestão à frente do CBO. Ao longo da entrevista, ela reflete sobre os desafios de assumir a Presidência do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e compartilha as linhas centrais do trabalho que pretende desenvolver ao lado da nova diretoria nos próximos dois anos. Confira!

CBO - O que os oftalmologistas podem esperar da nova gestão do CBO?

MAMF - Os oftalmologistas podem contar, acima de tudo, com responsabilidade. Este ano eu completo dez anos de CBO e, nesse período, muita coisa evoluiu. A medicina mudou, a oftalmologia mudou, surgiram novos desafios, e acompanhar essas transformações, com o comprometimento de todos, é importante. Hoje, o CBO está em muitas frentes: ensino, defesa profissional, capacitação, estruturação de ações sociais, articulação em Brasília, além de diversas iniciativas institucionais que exigem nossa atenção. É fundamental olhar o passado, sem deixar de analisar as mudanças necessárias, e planejar a construção que precisamos fazer para o futuro. O grupo que assume a direção do CBO é plural: formado por pessoas de todas as regiões do país e diverso em experiências, propostas e vivências. Todos têm trajetória em agremiações e representações de classe, o que é essencial. Assim, os colegas médicos oftalmologistas podem esperar responsabilidade, compromisso e, principalmente, capacidade de análise para dar continuidade ao trabalho iniciado em outras gestões, sempre atentos às mudanças necessárias para avançar.

CBO - A oftalmologia ampliou sua presença, principalmente nos pequenos municípios e regiões afastadas. O que esse grupo de especialistas, que vivencia essa experiência, pode esperar da gestão que inicia?

MAMF - Esse é um grande desafio. Não à toa escolhemos o nome Conexão para a chapa que foi eleita. Queremos estar ainda mais próximos desses colegas, pois a representação em diferentes regiões do país fortalece nosso alcance. Já temos representações estaduais e em alguns municípios, o que tem aproximado o CBO das lideranças locais. Precisamos intensificar esse movimento, trazendo cada vez mais pessoas para perto. O futuro depende de conexões mais amplas. O desafio existe, mas escolhemos pessoas com realidades e experiências distintas justamente para chegar a todos os lugares. Além disso, queremos abrir portas para que os colegas também nos procurem e encontrem no CBO um espaço de comunicação aberta e de escuta atenta. Esse diálogo é fundamental para qualquer gestão.

CBO - O Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a oftalmologia são importantes tanto no sistema público de saúde quanto na saúde suplementar. Como o CBO pretende enfrentar dificuldades relacionadas à remuneração e às condições de trabalho?

MAMF - Esse desafio não é simples. Para isso, é fundamental termos estratégias internas e participação ativa em todos os espaços. Temos uma estrutura que reúne dados e informações importantes, tanto para a ANS quanto para o SUS, o que fortalece nossa atuação e aproximação. Sabemos que o trabalho será exigente e intenso, mas o caminho já foi aberto. Agora, precisamos estar cada vez mais próximos e ativos, apresentando propostas e estratégias que levem em conta a realidade nacional. Somente assim seremos protagonistas nas questões de valor de mercado e remuneração.

CBO - O combate ao exercício ilegal da medicina em oftalmologia seguirá como prioridade?

MAMF - Sem dúvida, essa prioridade se mantém na gestão que tem início. Porém, assumir um cargo como esse exige compromissos reais, sem prometer soluções mágicas, sabendo que é nossa responsabilidade defender a classe. O exercício ilegal da medicina configura um dos principais motivos de denúncias que recebemos diariamente. Para enfrentar esse problema, vamos atuar com firmeza, junto ao Departamento Jurídico, de forma responsável, mantendo esse combate como uma das prioridades e compromisso com a oftalmologia brasileira e com a segurança da população.

CBO - Suceder a Wilma Lelis, a primeira mulher na Presidência do Conselho, em um momento de maior presença feminina na especialidade, inspira qual mensagem às oftalmologistas?

MAMF - A mensagem é clara: somos mulheres e podemos estar onde estivermos capacitadas para estar. Precisamos ter ambição, acreditar que podemos e nos preparar para isso. É fundamental reconhecer que as mulheres têm um papel político e social, não por modismo ou correção política, mas porque isso é justo e necessário.

O protagonismo feminino já é realidade no ambiente de trabalho e no sustento das famílias e precisa se refletir também em cargos de liderança e de gestão. Por isso, digo às oftalmologistas: lutem, desafiem-se, capacitem-se e sonhem o que desejarem. Lugar de mulher é onde ela estiver preparada para estar. O CBO estará sempre aberto para mulheres e homens. Capacitar, dar acesso e oportunizar, de forma absolutamente igualitária, é essencial para construirmos juntos.

CBO - Diante desses avanços e desafios da especialidade, de forma geral, qual o seu recado aos oftalmologistas?

MAMF - O CBO lidera e representa, mas só cumpre esse papel com a participação de todos. Por isso, convido os oftalmologistas a se juntarem a nós. Conexão, o nome do grupo eleito para liderar nossa entidade pelos próximos 24 meses, não foi escolhido por acaso. O mundo está cada vez mais conectado, e precisamos exercer e nos apropriar dessa proximidade dentro do CBO, junto aos oftalmologistas, aos gestores e à sociedade em geral. A força se constrói com reflexões maduras, ações possíveis, responsáveis e união. Só assim, juntos, alcançaremos nossos objetivos.


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